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09/04/2020

ELE NÃO É UM PESO, ELE É MEU IRMÃO

Prof. Tales de Sá Cavalcante

O Povo. 09/04/2020 (quinta-feira).
tales@fariasbrito.com.br

A estrada é longa, e o aprendizado não acontece no final, mas no caminho. Enfrentamos um inimigo invisível nessa caminhada, que não se estende em linha reta, nos desafia com muitas curvas sinuosas, nos conduz quem sabe aonde.

Quem poderia prever que o sonho de Raul Seixas se tornasse realidade e “um dia a terra parou”? Aliás, não um dia, mas vários, e quantos não se sabe. E, nesse recolhimento, olharíamos para o outro a considerá-lo irmão, como na música do The Hollies, escrita por Bobby Scott e Russell Bob: “o bem-estar dele é a minha preocupação”. E ao fazer nossa a canção, diríamos:

“A estrada é longa, com muitas curvas sinuosas. Isso nos conduz a quem sabe onde (…). Mas eu sou forte, forte bastante para carregá-lo. Ele não é um peso, ele é meu irmão. Assim nós vamos. O bem-estar dele é a minha preocupação. Ele não é um fardo para aguentar. Nós chegaremos lá. Porque eu sei, ele não me embaraçaria, ele não é um peso, ele é meu irmão (…). É uma estrada longa, longa, da qual não há nenhum retorno. Enquanto nós estamos a caminho de lá, por que não dividimos? E a carga não me pesa em nada. Ele não é um peso, ele é meu irmão (...)”.

E, no isolamento, nos sentiríamos responsáveis por cada um, pelos mais frágeis, na pandemia da Covid-19, que transformou a humanidade inteira em grupo de risco. E descobriríamos o quanto somos fortes o suficiente para resistir. Para carregar o peso.

Que páginas futuras mostrem o heroísmo dos que, na linha de frente, mereceram aplausos nas janelas e varandas. Que houve uma Terceira Guerra Mundial e, em um dos lados, estivemos todos juntos, seja qual for a nacionalidade. Que o peso não nos sobrecarregou porque soubemos dividir o fardo, cuidando uns dos outros em atos solidários espalhados pelo planeta.

O que compartilhamos não esqueceremos. O amor de um para com o outro ficará gravado em imagens como a de um papa solitário, rezando na praça deserta. Passos partilhados por todos nós, num longo, longo caminho, e poderemos não só sonhar, mas dizer: ao dividirmos a carga, não me pesou em nada, uma vez que ele não era um peso, era meu irmão.

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